EST805 Monografia 7462 | |
BARBOSA, Mariana Reis Violência de estado : dos discursos sociais às leituras individuais / Mariana Reis Barbosa.- [Braga] : Universidade do Minho, 2013.- VIII, 261 p. ; il. ; 30 cm (Digitalizada) Tese de Doutoramento em Psicologia Especialidade de Psicologia da Justiça, pela Universidade do Minho, Escola de Psicologia (Polic.) : oferta PSICOLOGIA, DIREITOS HUMANOS, JUSTIÇA, CIDADÃO, VIOLÊNCIA, DIREITO CIVIL, MORAL, TESE DE DOUTORAMENTO, PORTUGAL O presente trabalho compreende uma incursão teórica e empírica pelo fenómeno da violência de Estado. Os autores dedicados ao estudo desta temática têm alertado para o papel do Estado enquanto perpetrador de atrocidades, ao violar normas jurídicas e sociais e ao não respeitar os direitos humanos (e.g., Barak, 2010; Green & Ward, 2004; Kauzlarich, Mullins, & Matthews, 2003; Rothe & Ross, 2008). A intolerância dos cidadãos face a tais condutas poderá inibi-las ou pelo menos dificultá-las, especialmente em sociedades democráticas. No sentido contrário, a sua perpetração pode ser facilitada pela sociedade civil se esta for, em alguma medida, ‘conivente’, ignorando, negando ou legitimando as atrocidades cometidas pelo Estado. Por conseguinte, a sua prevenção tem de passar pela análise dos discursos de senso comum, com vista à compreensão dos processos cognitivos que as legitimam. Os estudos empíricos que apresentamos neste texto constituem um contributo nesse sentido, ao darem conta dos discursos de cidadãos comuns face à violência de Estado. Através da análise das respostas de 600 cidadãos portugueses à Personal and Institutional Rights to Aggression and Peace Survey, foi possível identificar diferentes níveis de tolerância face à violência de Estado, assim como os argumentos subjacentes aos mesmos. A partir desta amostra selecionaram-se trinta e seis participantes, constituindo-se três grupos contrastantes em função dos níveis de tolerância face à violência de Estado. Foram realizadas entrevistas a estes participantes sobre cenários hipotéticos de violência de Estado, construídos com base em dimensões que no primeiro estudo se assumiram como influenciadoras dos seus níveis de tolerância. Os resultados do segundo estudo possibilitaram uma compreensão mais aprofundada dos posicionamentos dos participantes, ao permitirem mapear significados, representações e processos cognitivos associados à legitimação da violência de Estado. Da análise efetuada, emergiram duas linhas predominantes de raciocínio e argumentação em torno do fenómeno. A primeira diz respeito à defesa de uma intervenção estatal baseada num princípio de igualdade; já a segunda refere-se aos apologistas de uma intervenção diferenciada em função das ‘qualidades’ dos indivíduos. Estes vi últimos revelaram maior tolerância à violência de Estado, corroborando os estudos que se referem à legitimação das desigualdades sociais como estando na base de certas formas de violência (Barbeiro & Machado, 2010; Jackman, 2004; Jost & Major, 2001; Major & Schmader, 2001). |