Biblioteca DGRSP


EST991
Monografia
4573


Sampaio, Luís Miguel Calheiros Cruz
O Sentido das prisões : funções e impactos da reclusão / Luís Miguel Calheiros Cruz Sampaio ; ori. tese Helena Machado.- [S.l. : s.n.], 2011.- V, 142 p. ; 30 cm em PDF. - (Estudos)
Dissertação de Mestrado em Sociologia das Organizaçõese do Trabalho apresentado á Universidade do Minho, Instituto de Ciências Sociais
(Polic.) : oferta


SOCIOLOGIA, PRISÃO, REINSERÇÃO SOCIAL, CRIME, PUN IÇÃO, ORGANIZAÇÃO PRISIONAL, CRIME SEXUAL, TESE DE MESTRADO, PORTUGAL

Ao pôr em confronto a dialéctica - prisão como factor punitivo ou,cumulativamente, contribuinte para a reinserção social do indivíduo - esta investigação vem criar tensões que auxiliará a recolocarão da sua função na ordem. A investigação decorre em duas fases: uma que problematiza a dualidade ideológica em confronto e, outra, que, através da análise e interpretação de entrevistas a reclusos e outros actores próximos da reclusão, permitirá analisar os impactos da reclusão e, assim, trocar outros olhares sobre essa dialéctica. O objectivo foi construir e desconstruir discursos institucionalizados e/ou teóricos sobre o sentido da prisão através do seu confronto com representações de actores que encarnam ou vivem a situação de reclusão. Uma vez que o objectivo de internamento visa qualquer uma das funções em debate, importa perceber as respostas que a prisão nos transmite, através dos discursos dos sujeitos e analisar se, de facto, ela responde aos objectivos para o qual ela foi criada. Todavia, interrogamo-nos, é possível reabilitar – punindo? Ou será que a prisão, no sentido foucaulteano, transforma o indivíduo num corpo dócil ou, ainda, se a prisão, como dizia um recluso que entrevistamos, “serve mais para destruir…destruir…destruir”? (Bernardo, 65 anos) . Sintetizando: Qual o sentido das prisões? Pela análise dos discursos dos entrevistados perguntamo-nos: o objectivo que o poder anuncia acerca da prisão e que declara a reconstrução identitária do indivíduo aquando da sua passagem pela prisão não transforma o próprio discurso do recluso sobre os efeitos da sua estadia por lá? Neste momento o que se sabe é que reclusos declaram um sentido de reabilitação. Assim, embora afirmem a falta de sentido da prisão mostram corpos docilizados para a vida em liberdade. A sociedade há-de os aceitar. Vão dizendo, contudo, existir uma rejeição silenciosa.