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AMARAL, Rosa do Interacções familiares de indivíduos com deficiência : teoria estrutural Hospitalidade, Lisboa, A.70,n.274(out.-dez. 2006), p.14-17 LUTO, DEFICIÊNCIAS, VIDA FAMILIAR, REABILITAÇÃO, TEORIAS DO COMPORTAMENTO, FILHOS Tradicionalmente, o foco de incapacidade na família é posto no impacto que a própria incapacidade tem na estrutura da família e dos membros individuais. Os sentimentos da pessoa e o processo natural de luto têm sido extensamente ignorados. Poucos argumentariam contra o encarar da perda continuada que resulta de repentinamente ter uma criança ou um membro de família incapacitado, como uma das experiências mais dolorosas e difíceis que a pessoa pode confrontar. A maioria dos terapeutas profissionais usam métodos tradicionais de psicoterapia de grupo, uma perspectiva criada para intervir na psicopatologia. Essa perspectiva pode não resultar, por uma simples razão: pais e membros da família não estão a sofrer de nenhuma patologia; eles estão a "rodopiar" pelo impacto de ter uma criança incapacitada e uma perda. É evidente que estas pessoas estão a manifestar um processo de luto. É claro que estão alternadamente: ansiosos, zangados, em negação, culpados, deprimidos ou temerosos, mas eles internamente não são pessoas "perturbadas". Este texto explorará a necessidade que nós temos para nos remetermos ao processo de luto dos vários membros da família e aos estados de espírito que facilitam a separação dos sonhos perdidos, negação, ansiedade, temor, culpa, depressão e raiva. Os pais unem-se às crianças pelos sonhos de base, pelas fantasias, ilusões, e pelas projecções do futuro. A incapacidade destrói estes sonhos. A incapacidade/dano, e não a criança, estraga irrevogavelmente a aspiração de um pai ou de um membro da família. A incapacidade destroi os sonhos, as fantasias, ilusões e projecções para o futuro que os pais geram como o plano da sua luta para realizar as missões básicas da vida. Os pais de crianças com incapacidades lamentam a perda de sonhos que seriam chave para o significado da sua existência, o seu sentido de ser. Recuperar de tal perda vai depender da capacidade do próprio para se separar do sonho perdido e gerar novos sonhos mais atingíveis. |