EST821 Monografia 7515 | |
PEREIRA, Ana Paula Sismeiro Silva Dinâmicas de violência no casal / Ana Paula Sismeiro Silva Pereira.- [Braga] : Universidade do Minho, 2013.- [?] ; Digitalizada ; 30 cm. - (Estudos) Tese de Doutoramento em Psicologia, Especialidade em Psicologia da Justiça, pela Universidade do Minho, Escola de Psicologia recurso eletrónico, http://hdl.handle.net/1822/27260, acesso restrito (Polic.) : oferta CRIMINOLOGIA, PSICOLOGIA, SOCIOLOGIA, VIOLÊNCIA, VIOLÊNCIA FAMILIAR, VIOLÊNCIA DOMÉSTICA, PSICOPATIA, COMPORTAMENTO CRIMINOSO, COMPORTAMENTO DESVIANTE, HOMICÍDIO, TESE DE DOUTORAMENTO, PORTUGAL A violência no casal tem sido alvo de profusa investigação inscrita em diversos campos científicos. Esta investigação tem, maioritariamente, sido dedicada à caracterização do fenómeno da violência (frequência dos episódios, severidade em função do género dos perpetradores), caracterização dos perpetradores e caracterização das vítimas. Alguns autores têm manifestado insatisfação com a investigação produzida já que descura o contexto subjacente ao processo de violência e recorre fundamentalmente a metodologias quantitativas de investigação. A investigação que desenvolvemos procura contribuir para a construção de um conhecimento contextualizado e prossegue dois objetivos gerais: a) Caracterizar os indivíduos que perpetram violência no contexto das relações de casal nas dimensões: experiências precoces de abuso, testemunho de violência inter-parental, vinculação aos pares e ao par romântico, personalidade e psicopatia. b) Analisar, do ponto de vista do perpetrador, o processo subjacente à dinâmica de violência. Neste estudo participaram 20 homens condenados por homicídio à cônjuge ou parceira, 8 mulheres condenadas por homicídio ao cônjuge ou parceiro e 6 homens condenados por maustratos à cônjuge ou parceira. Todos os indivíduos se encontravam a cumprir pena de prisão. Para concretizarmos o segundo objetivo mas também para podermos recolher informação aprofundada sobre o primeiro, utilizámos uma metodologia mista quantitativa e qualitativa. Aplicámos instrumentos de auto-relato (16PF-5 – Questionário de Personalidade de 16 fatores (Cattell, R. B.; Cattell, A. K. S. & Cattell, H. E. P., 1993; versão portuguesa adaptada por Barros & Rocha, 1998), EREP - Experiências em Relações Emocionalmente Próximas (Brennan, Clark & Shaver, 1998; adaptação portuguesa Oliveira & Costa, 2009), RQ - Relationship Questionnaire (Bartholomew & Horowitz, 1991; adaptação portuguesa Cabral & Mena Matos, 2004) e realizámos entrevistas com um guião construído para este estudo. A avaliação da Psicopatia, decorreu da aplicação da PCL-R (Hare, 1991, 2003; versão portuguesa Gonçalves, 1999, 2007) à informação recolhida na entrevista, nos processos dos reclusos. Os resultados principais mostram-nos: a) Negligência Emocional está sistematicamente mais presente que o abuso físico e o testemunho de violência inter-parental nas experiências precoces destes indivíduos, independente do género e do tipo de crime; b) Os homens e mulheres homicidas apresentam uma configuração de personalidade mais semelhante entre si e comparativamente diferente dos homens maltratantes; c) O índice de psicopatia é baixo em todos os grupos de participantes, embora os indivíduos maltratantes exibam tendência para uma ligeira alteração na escala Estilo de Vida; d) Estes indivíduos apresentam uma vinculação Insegura tendo sido possível definir 3 padrões principais: 1) indivíduos com uma tendência de Ansiedade elevada e Evitação baixa; 2) indivíduos com uma tendência de Evitação elevada e Ansiedade baixa e 3) indivíduos com tendência de Ansiedade e Evitação moderada a elevada, sub-dividindo-se em dois padrões consoante a dimensão que é elevada; e) Cada um destes padrões de vinculação parece estar associado a um percurso diferente de violência e homicídio ao longo da relação; f) Estes percursos parecem ter subjacentes dinâmicas que expõem o impacto de vulnerabilidades internas no processamento da informação relativa à apreciação da participação de cada membro do casal no processo de violência e na regulação emocional durante o processo. |