Biblioteca DGRSP


EST975
Monografia
8254


Abreu, Mariana Fraga de
Barreiras à deteção da tuberculose em estabelecimentos prisionais portugueses : relatório de investigação / Mariana Fraga de Abreu ; ori. tese Amparo Barreiro, Raquel Duarte, Ana Aguiar.- Porto : [s.n.], 2018.- VI, 57 p. ; il. ; 30 cm em PDF
Áreas de intervenção de Saúde Pública, Estágio de Investigação Epidemiológica em Saúde Pública
(Polic.) : oferta


MEDICINA, MEDICINA NA PRISÃO, TUBERCULOSE, DOENÇAS TRANSMISSIVEIS, ESTABELECIMENTO PRISIONAL, PROTOCOLO, DETENÇÃO, QUESTIONÁRIO, ENTREVISTA, RELATÓRIO, PORTUGAL

Introdução: Os estabelecimentos prisionais constituem ambientes de alto risco para a transmissão e disseminação da tuberculose. A aplicação de directrizes específicas para o controlo e prevenção desta doença tem sido descrita como incompleta e heterogénea internacionalmente, em consequência de diversos obstáculos identificados. Em Portugal, no âmbito do Programa Nacional para a Tuberculose, foi criado um protocolo entre a Direcção Geral de Saúde e a Direcção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais com vista à definição e uniformização de procedimentos de detecção e prevenção da tuberculose nos estabelecimentos prisionais. Compreender de que modo este protocolo tem estado a ser aplicado nos estabelecimentos prisionais e de que forma a existência de barreiras podem influenciar os serviços prestados à população reclusa é importante para otimizar a qualidade dos serviços prestados. Deste modo, com este estudo pretende-se identificar e descrever barreiras à detecção da tuberculose nos estabelecimentos
prisionais dos distritos do Porto e Lisboa. Material e métodos: Realizou-se um estudo transversal com metodologia mista. Na componente quantitativa aplicaram-se questionários semiestruturados a profissionais de saúde que trabalham em ambiente prisional, e na componente qualitativa realizaram-se entrevistas a profissionais de saúde dos Centros de Diagnóstico Pneumológico das áreas de estudo. Nos questionários foi realizada uma análise de clusters hierárquica aglomerativa. Nas entrevistas realizou-se análise temática de acordo com o protocolo de Braun and Clarke. Resultados: Foram inquiridos 82 profissionais de saúde: maioria era do sexo feminino, enfermeiros e com idade mediana de 34 anos. Da análise de clusters identificámos dois grupos de profissionais de saúde com comportamentos distintos para os procedimentos desse protocolo, a partir do qual identificámos como barreiras: escassez de recursos humanos, a necessidade de formação teórico-prática para a tuberculose, a inexperiência em trabalhar em serviços de saúde
prisionais e o desconhecimento dos procedimentos do protocolo. Foram entrevistados 21 médicos especialistas a exercer funções nos distritos do Porto e Lisboa, maioria do sexo feminino da especialidade de pneumologia. Percecionámos que a articulação entre os serviços de saúde prisionais e os CDP apesar de melhorada ainda necessita de um contínuo investimento, pois a ausência de serviços articulados pode resultar na fragmentação dos
cuidados e em resultados menos positivos no tratamento e prevenção da doença. A escassez de recursos humanos foi também descrita pelos participantes. Conclusões: Concluímos que o protocolo para a deteção e prevenção da tuberculose em ambiente prisional está a ser adotado pela maioria dos profissionais de saúde dos estabelecimentos prisionais em estudo. Este estudo identifica ainda barreiras ao processo de deteção da tuberculose numa população que poderá auxiliar os serviços de saúde prisionais a otimizar os cuidados nos serviços de saúde de forma a que haja uma deteção mais precoce e maior adesão dos reclusos ao tratamento da tuberculose.