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MOURÃO, José Augusto A droga e "o doce veneno" da religião Toxicodependências, Lisboa, V.8,n.2(Jul. 2002), p.77-86 DROGA Avança-se aqui a hipótese que aquilo que substancialmente liga a droga e a religião é sua função imaginária, o seu carácter utópico, fiduciário e paliativo. Os objectos, os mitos, não falam a partir de si mesmos, mas daquilo que representam ou prometem. Assim da droga e da religião. O que envenena a fonte da vida é a cena imaginária que a si mesma se injecta o veneno da autonomia e faz de nós, em vez de filhos, monstros. Conclui-se que o que salva o homem é o abandono na palavra do Outro, não no imaginário da sua prisão. O que obriga a um salto no vazio: a fé nasce desse salto. |