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FERREIRA, António Gomes A educação física no ensino secundário durante o estado novo Revista Portuguesa de Pedagogia, Coimbra, A.36, n.1,2 e 3(2002), p.221-240 EDUCAÇÃO FÍSICA, ENSINO, EVOLUÇÃO HISTÓRICA Não se pode dizer que a evolução da Educação Física tenha somente seguido o rumo imprimido pela lógica do Estado Novo. Apesar das fortes convicções ideológicas que sustentavam o regime e da sua grande aposta nos instrumentos de controlo da sociedade, houve aspectos que se impuseram e forçaram curso ou que o Estado Novo entendeu incorporar para melhor se adaptar a tendências que se desenhavam na Europa desenvolvida. Por outro lado, há a considerar que, embora declaradamente conservador, anti-liberal e controlador, o regime salazarista absorveu elementos iconográficos e ideológicos republicanos e não resistiu à modernização cultural em resultado do desenvolvimento económico a que forçosamente tinha de aderir. Isto significa que, embora o Estado Novo português tivesse instrumentalizado a Educação Física com o objectivo de que ela servisse os desígnios formativos do regime, partiu de pensamento e experiência anterior e veio a permitir que no seio da principal instituição de formação de professores da especialidade ganhassem peso tendências pedagógicas que contrariavam as orientações inicialmente definidas. Nos anos sessenta, a contestação do modelo rígido de aula ainda inspirado na ginástica de Ling acabou por repercutir-se em alguns documentos oficiais, publicados no período em que o regime ditatorial querer evoluir para uma situação liberal. Neste nosso trabalho, procura-se, de algum modo, dar conta da afirmação de um modelo de aula de Educação Física e de como ele ainda caracterizava a organização da Educação Física ministrada nas escolas secundárias portuguesas. |