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MELO, Raul António Soares de Brincar com a saúde : o brincar preventivo Toxicodependências, Lisboa, V.12,n.2(2006), p.21-30 DINÂMICA DE GRUPO, JOGO, PREVENÇÃO, PROMOÇÃO, SAÚDE, INTERVENÇÃO COMUNITÁRIA O presente artigo nasceu do desejo de pôr em texto um conjunto de reflexões que foram resultando da prática de intervenção com grupos (de formação e de intervenção) em contexto preventivo ao longo dos últimos 15 anos. Tendo por base da minha intervenção o jogo e a dinâmica de grupos, tem sido claro para mim o grande impacto que esta abordagem tem em quem nela participa e uma resistência a encará-la como séria e técnica e cientificamente suportada por parte de alguns profissionais no domínio da promoção da saúde e da intervenção comunitária. O legado de Lewin, Moreno, Vigotski, Winnicott no domínio do jogo e do brincar postos ao serviço da prevenção, cruzam-se com as leituras dos jogos do quotidiano de Azevedo, Neto, LeBreton e Sami-Ali num enredo que nos transporta do brincar como contexto relacional espontâneo à sua utilização como poderoso instrumento de compreensão e mudança. No final deste percurso em torno da saúde do brincar e do brincar com e para a saúde, confluímos para questões transferenciais, onde a facilidade de adesão ao jogo como instrumento e à dinâmica de grupo como referência, se confronta, no reverso da medalha, com o risco de banalização do recurso e com o perigo de normalização do grupo a partir das expectativas do dinamizador. Moreno ensinou-nos que a espontaneidade não é a utilização de velhos recursos (nossos ou dos outros) em novos contextos mas a procura de variantes decorrentes dos cenários em que nos movemos e dos restantes protagonistas nas cenas do quotidiano. Também no brincar para a saúde se preconiza a descoberta dessas variantes em ensaios e erros acompanhados por um dinamizador que se permite espantar sempre, com cada nova resposta, em cada nova acção, silêncio ou resposta. A brincar, a brincar... se trabalham coisas muito sérias. |