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BROCH, Serge Drogue et violence : deux mots surchargés d'emotion Toxicodependências, Lisboa, V.9,n.2(2003), p.61-70 DROGA, ÁLCOOL, VIOLÊNCIA, POLÍTICA No decurso da última década, o estudo da violência relacionada com a droga adquiriu um interesse progressivo. É certo que este interesse é, em parte espevitado por certos "media" que associaram droga e crime em grande número de reportagens, não sem alguma razão. Paralelamente à exposição mediática da relação droga-violência, um certo número de estudos científicos permitiram-nos organizar melhor os nossos conhecimentos nesta área. Este texto tem como objectivo sintetizar esse conhecimento. Nele se verá que o álcool constitui a substância psicoactiva mais associada à violência. Contudo, ainda que estatisticamente o álcool esteja frequentemente ligado à violência, a natureza desta relação ainda é mal explicada. É neste momento geralmente reconhecido que só o álcool não pode explicar o comportamento violento, é preciso igualmente analisar os factores próprios do indivíduo (psicológicos, cognitivos, fisiológicos) assim como o contexto no qual ele evolui. De entre outros, acredita-se cada vez mais que a relação álcool/violência seria mediatizada pelas expectativas individuais e sociais relacionadas com o efeito que o consumo significativo de álcool poderia favorecer a manifestação de tais comportamentos, em certas circunstâncias. Do lado das drogas ilícitas, é patente que as políticas proibicionistas assim como as nossas práticas repressivas são em grande parte, responsáveis pela violência que se manifesta neste mercado incontrolável pela sua ilegalidade mas tornando atraente pelas oportunidades de lucros incalculáveis. Por outro lado, é preciso ter presente que o sistema penal e sócio-sanitário que pusemos em marcha é igualmente responsável por uma forma de violência manifesta que atinge os consumidores de drogas e os toxicodependentes. |