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TORRADO, Marco Identidade e toxicodependência no masculino : relação paterna, auto-conceito e identidade de género Toxicodependências, Lisboa, V.14,n.1(2008), p.57-72 IDENTIDADE, ADOLESCÊNCIA, TOXICODEPENDENTE, FIGURA PATERNAL Considerando a fraca expressão de investigações que salientem o modo como os toxicodependentes percepcionam a sua história relacional com o pai, e sendo esse um contexto primordial de identificação masculina e de integração de limites (Lei Paterna), propôs-se investigar as percepções de um grupo de toxicodependentes masculinos (n=49), por comparação com um grupo de controlo (n=50), relativamente à qualidade da relação com a figura paterna durante a infância e a adolescência e de proximidade emocional à mesma figura ao longo do ciclo de vida; averiguou-se ainda se tais percepções se associam, eventualmente, ao auto-conceito e à sua percepção do papel sexual. Os resultados sugerem que os toxicodependentes percepcionam o seu pai como intrusivo e emocionalmente distante, e que evidenciam um conceito de si significativamente mais perturbado que os indivíduos do grupo de controlo, assim como uma percepção menos masculina de si próprios. Sobressai uma forte associação entre a perturbação do conceito de si nestes indivíduos e a percepção de um pai pouco cuidador durante a infância/adolescência, sendo que a fraca proximidade emocional ao pai durante a adolescência parece assumir um valor explicativo das perturbações identitárias nestes toxicodependentes. Estes resultados poderão sustentar a importância de uma dimensão reparadora das representações associadas à imagem do pai (pai simbólico) quer no domínio psicoterapêutico, quer numa intervenção preventiva que possibilite aos rapazes uma identificação positiva. |