Biblioteca DGRSP


P.240
Analítico de Periódico



OLIVEIRA, Teresa Carla
Alternative paradigms of hospital work organisation and health provision
Revista Portuguesa de Saúde Pública, Lisboa, V.25,n.1(Jan.-Jun. 2007), p.19-37


SERVIÇOS DE SAÚDE, HOSPITALIZAÇÃO, FORMAÇÃO AO LONGO DA VIDA

Na grande maioria dos países europeus, os serviços hospitalares e de saúde têm vindo a ser pressionados a reduzir custos e aumentar eficiência. Este artigo analisa o modo como as organizações de cuidados de saúde têm vindo a adoptar uma das duas vias: «mercados internos» no pressuposto implícito de uma maior margem de escolha quer para quem presta o serviço quer para quem o utiliza, ou «flexibilidade interna» e benefícios na eficiência na base da vantagem mútua para ambos os utilizadores e prestadores de serviços de saúde. Estes paradigmas são analisados por referência aos que reflectem o que se passa no sector da produção, em particular os modelos «Fordistas» para redução de custos na base do volume dos serviços prestados, e os modelos «pós-fordistas» para a flexibilização das práticas de trabalho com ênfase numa prestação de serviços com qualidade e personalizada. Evidências de estudos de caso na área da saúde no Reino Unido sugerem que «mercados internos» e o fordismo contribuem para o aumento do número de pacientes atendidos sem no entanto reduzir custos ou alargar a margem de escolha dos pacientes, tendo mesmo em alguns casos consequências na diminuição da qualidade do serviço prestado. As implicações destes paradigmas alternativos de flexibilidade-por-constrangimento e flexibilidade-por-consentimento são relacionadas com a proposta de acordos-de-inovação, aprendizagem ao longo da vida e melhor equilíbrio vida-trabalho tal como recomendado no Conselho Europeu de Lisboa em Junho de 2000. Partindo do princípio de que existem diferenças culturais, é argumentado que é possível em Portugal a transição para um modelo flexível pós-fordista com ganhos de eficiência nos serviços prestados na saúde na base de uma vantagem mútua quer para pacientes quer prestadores de serviços. Uma nota especial de atenção é dada ao facto de tal modelo de melhoria contínua ter sido bem sucedido no sector da produção em Portugal.