Biblioteca DGRSP


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Analítico de Periódico



VERÍSSIMO, Manuela
Qualidade da vinculação à mãe e à educadora
Psicologia, Lisboa, V.17,n.2(Jan.-Jun. 2004), 453-469


VINCULAÇÃO, CRIANÇA, MÃE, EDUCADOR, ESTUDOS, SEGURANÇA, INSEGURANÇA, RELAÇÕES FAMILIARES

Embora, desde o início da formulação da teoria da vinculação com Bowlby e Ainsworth, se tenha reconhecido a existência de figuras alternativas de vinculação, a maioria das investigações realizadas têm-se centrado na relação de vínculação entre a criança e a figura de vinculação privilegiada: a mãe. A inclusão de diferentes pessoas que regularmente cuidam e interagem com a criança, nomeadamente a educadora, no estudo das relações de vinculação, veio, segundo Howes, Hamilton e Philipsen (1998), colocar novas questões de carácter teórico e empírico na investigação da vinculação. Este estudo procura comparar a qualidade da vinculação à mãe e à educadora no sentido de melhor clarificar a organização das várias representações das relações de vinculação no modelo interno dinâmico da criança. Participam neste estudo 50 díades, mãe-criança e educadora-criança.Assinalou-se uma média de idades de aproximadamente 41 meses para as crianças, 32 anos para as mães e 42 anos para as educadoras de infância. Foi aplicado às mães e às educadoras de infância o questionário Attachment Q-Sort (Vaughn & Waters, 1990). Através da análise de clusters, e com base nas descrições das mães, foram identificados três grupos: grupo 1 (seguro e independente), grupo 2 (inseguro e dependente) e grupo 3 (inseguro e independente). As educadoras distinguem as crianças apenas com base no critério da segurança e na escala de "interacção suave", e consideram que as crianças que mais interagem com elas são as que apresentam maior segurança na relação. Este estudo reafirma a qualidade da vinculação como uma característica da relação e não da criança. Ou seja, não existem crianças seguras ou inseguras, mas crianças com relações seguras ou inseguras com determinadas figuras.