Biblioteca DGRSP


EST290
Monografia
5488


QUINTELA, Sofia Cochofel
Quando o agir se substitui ao pensamento ou a face visível da dor psíquica : contributos para a compreensão das perturbações de comportamento / Sofia Cochofel Quintela.- Coimbra : [s.n.], 2002.- 254 p. ; 30cm. - (Estudos)
(Polic.) : oferta


PSICOLOGIA, DELINQUÊNCIA, PERTURBAÇÕES DO COMPORTAMENTO, VINCULAÇÃO, TRAUMATISMO, PSICOPATOLOGIA, DEPRESSÃO, LUTO, ESTADOS LIMITES, PERTURBAÇÕES PSÍQUICAS, ESTUDO DE CASO, PORTUGAL

Apesar dos progressos inquestionáveis que têm surgido na compreensão das perturbações de comportamento, parece-nos que as intervenções realizadas junto de jovens delinquentes têm negligenciado a compreensão psicodinâmica deste tipo de situações, em particular o elo entre historicidade, acontecimentos traumáticos e estruturação da personalidade. Com efeito, a sintomatologia mais frequente neste tipo de patologia revela, de forma patente ou mascarada, um intenso sofrimento psíquico, centrado em quadros de intensidade e prognóstico variáveis, ligados, na maioria das vezes, a um atingimento significativo da capacidade de pensar. Ao fazer a reconstrução da história pessoal destes jovens, procurámos, enfim, identificar experiências traumáticas precoces, sejam carências, separações, perdas, falta de ajustamento do meio, inexistência de figuras de identificação consistentes. Esta investigação qualitativa, conduzida com o pressuposto teórico da clínica psicodinâmica, recorre ao estudo de 8 casos (jovens internados em estabelecimento de reeducação, a cumprir uma medida tutelar de internamento pela prática de actos juridicamente condenáveis), e tem por finalidade demonstrar que as perturbações de comportamento constituem a exteriorização de uma incapacidade de pensar, que pode revestir a forma de recusa de timbre negativista, derivada de falhas no desenvolvimento de uma vida psíquica harmoniosa, em função de acontecimentos traumáticos precoces que induzem situações de intenso sofrimento no processo de integração da personalidade Procurámos, enfim, identificar as regularidades do funcionamento psíquico desta população, sem esquecer as singularidades de cada situação individual, a fim de propor estratégias de intervenção orientadoras de mudança que não façam simples contenções de comportamento.