PP458 Analítico de Periódico | |
ADRIANO, Paulo Jorge Antunes dos Santos O património prisional português : um roteiro arquitetónico bicentenário / Paulo Jorge Antunes dos Santos Adriano Sombras e Luzes, Lisboa, N. 3 e 4 (2020), p. 179-216 ARQUITECTURA PRISIONAL, PATRIMÓNIO ARQUITECTÓNICO, CULTURA PRISIONAL, PORTUGAL Quando se debate o património cultural edificado, geralmente os edifícios alvo são igrejas, palácios ou castelos, sendo raro o enfoco dado aos edifícios prisionais. Tendencialmente esquecidas, consequência da sua função social, as cadeias constituem um património geralmente considerado desinteressante. Nada poderia estar mais afastado da verdade. Os edifícios, ou espaços prisionais, existem desde os tempos mais remotos, acompanhando o processo evolutivo das sociedades, constituindo testemunhos das diversas épocas que os conceberam. Quem entra numa enxovia da Cadeia da Relação do Porto, numa cela da Penitenciária de Lisboa, ou percorre os pavilhões prisionais da Prisão-Escola em Leiria, é transportado no tempo, consequência de diferentes programas arquitetónicos, materializados segundo conceitos penais divergentes mas representativos da mentalidade e cultura dos séculos XVIII, XIX e XX, respetivamente. Algumas das estruturas prisionais que foram sendo edificadas ao longo de dois séculos ainda hoje integram a rede do atual parque prisional português, no entanto, outras, viram alteradas as suas funções primordiais, sendo adaptadas a outros contextos, ou mesmo destruídas. O intuito deste artigo é tentar traçar uma linha condutora sistemática evolutiva, que liga os finais do século XIX aos finais do século XX, elencando os edifícios que ao longo deste tempo foram sendo edificados, alterados ou destruídos, gerando linhas de preocupação e de sensibilização no contexto de um património geralmente esquecido e vítima de apagamento de memória, ou seja, o património prisional. |