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ALMEIDA, Telma Catarina Ferreira de A perceção das crianças sobre os conflitos interparentais : impacto no desenvolvimento em idade escolar / Telma Catarina Ferreira de Almeida.- [Braga] : Universidade do Minho, 2011.- 1 tese ; recurso electrónico, http://hdl.handle.net/1822/19635, acesso restrito. - (Estudos) Tese de Doutoramento em Psicologia, Especialidade de Psicologia da Justiça, pela Universidade do Minho, Escola de Psicologia (Polic.) : oferta PSICOLOGIA, VIOLÊNCIA, VIOLÊNCIA FAMILIAR, VÍTIMA, VITIMAÇÃO, MAUS TRATOS, JOVEM, AGRESSOR, TESE DE DOUTORAMENTO, PORTUGAL A violência interparental pressupõe o desenvolvimento de problemas quer de internalização (e.g., medo acrescido, sentimentos de culpa) quer de externalização (e.g., comportamentos de agressividade) na criança (Bourassa, 2007; Gonçalves & Sani, 2006; Shen, 2009). A revisão da literatura mostra que a compreensão das crianças mais pequenas acerca dos conflitos violentos entre os pais é diferente da perceção das crianças mais velhas (Grych, 1998). Durante muito tempo a exposição à violência entre os pais permaneceu como um problema oculto na privacidade familiar, fazendo da criança mais uma vítima silenciosa. Com a gradual tomada de consciência quer a nível social quer a nível profissional acerca da prevalência e do impacto que os conflitos entre os pais têm na criança, esta problemática começou a ser estudada a nível mundial, destacando a pertinência do aumento de investigação nesta área. Este estudo teve como principal objetivo avaliar as perceções de crianças vítimas de violência interparental perante os conflitos entre os pais. Procurou perceberse a forma como estas crianças caracterizam essas vivências e de que modo elas se traduzem num impacto negativo em crianças com idade escolar. Na revisão do estado da arte começou por se descrever a pertinência do estudo da violência interparental através da abordagem a um elevado número de estudos que comprovam a sua relevância. Começa por se descrever a prevalência da problemática, os factores que medeiam o seu impacto, o impacto na criança aos vários níveis, as abordagens teóricas que sustentam a compreensão deste tipo de violência, a avaliação e algumas formas de intervenção em vítimas. No segundo capítulo desta tese procedeu-se à elaboração de dois estudos com diferentes metodologias. Numa primeira fase, procedeu-se à adaptação da Children’s Perception of Interparental ConflictScale (CPIC-Y: Grych, 2000) à população portuguesa, uma escala que acede às perceções de crianças em idade escolar relativamente aos conflitos interparentais. Este processo permitiu proceder de seguida, ao primeiro estudo deste trabalho. No primeiro estudo, pretendeu-se, através de uma metodologia quantitativa, avaliar as perceções de crianças dos 7 aos 9 anos de idade vítimas de violência interparental. Pretendeu-se perceber também se as perceções destas crianças vítimas se distinguem das perceções de crianças não sinalizadas como vítimas de violência interparental e identificar variáveis passíveis de mediar o impacto desta vitimação. Especificamente, analisou-se a idade, o sexo e a realidade atual da criança (se vive ou não institucionalizada), na mediação do impacto da exposição a episódios de conflito entre os progenitores. A partir deste estudo, foi possível verificar que as crianças vítimas de violência interparental percecionam maiores níveis de conflito interparental no casal, percebem maiores níveis de culpa e menor relação com os seus pais comparativamente as crianças não sinalizadas como vítimas. O segundo estudo, de metodologia qualitativa, recorreu à realização de dezoito entrevistas a crianças dos 7 aos 9 anos de idade, vítimas de violência interparental. Pretendeu-se compreender, através da Grounded Theory, as experiências destas crianças face aos conflitos entre os pais. Analisaram-se assim os relatos das crianças vítimas de violência interparental, de forma a aceder às suas representações face aos momentos em que viviam em violência, ao momento de transição e de vivência sem a violência interparental. Verificou-se que as crianças identificam sobretudo interações negativas entre os progenitores, com presença de violência verbal, emocional/psicológica e física no casal. Foi possível também constatar que algumas destas crianças é também vítima de violência por parte dos progenitores e a grande maioria identifica impacto negativo a nível emocional, cognitivo, comportamental e físico. Destaca-se também a referência ao consumo de álcool/drogas por parte do agressor, a sensação de impotência face aos conflitos pela criança, ao desejo de reconciliação, e o recurso ao suporte social. A experiência de viver sem violência representa para estas crianças, um apaziguamento da sintomatologia subjacente ao impacto negativo da exposição à violência interparental. Este trabalho acrescenta contributos importantes para o reconhecimento do peso que a violência interparental representa na vida destas crianças, sobretudo em idades tão jovens. |