Acórdãos TC
Acórdão do Tribunal Constitucional
Nº Convencional: ACTC00002603
Acordão: 91-011-1
Processo: 89-0244
Relator: ANTONIO VITORINO
Descritores: INDEPENDENCIA DOS JUIZES
FUNÇãO JURISDICIONAL
COMPETENCIA DOS TRIBUNAIS
COMPETENCIA DO MINISTERIO PUBLICO
PRINCIPIO DA OPORTUNIDADE
PRINCIPIO DA LEGALIDADE CRIMINAL
GARANTIAS DE DEFESA
Nº do Documento: TCA19910122910111
Data do Acordão: 01/22/1991
Espécie: CONCRETA A
Requerente: MINISTERIO PUBLICO
Requerido: TCRIM LISBOA
Votação: UNANIMIDADE
Privacidade: 01
Constituição: 1989 ART205 ART206 ART208 ART224 N1.
Normas Apreciadas: CPP87 ART16 N3.
Legislação Nacional: CP82 ART296 ART297 N1 A N2 C D.
CPP187 ART14 N2 B.
DL 401/82 DE 1982/09/23 ART4.
Jurisprudência Constitucional:
Área Temática 1: TRIBUNAIS. PRINCIPIOS GERAIS DOS DIREITOS E DEVERES FUNDAMENTAIS. DIREITOS LIBERDADES E GARANTIAS PESSOAIS.
Área Temática 2: DIR PROC PENAL.
Decisão: Não julga inconstitucional a norma constante do artigo 16, n. 3 do Codigo de Processo Penal, na redacção do Decreto-Lei n. 387-E/87 de 29 de Dezembro, que atribui competencia ao tribunal singular para julgar os processos por crimes que, em principio, deviam ser julgados pelo tribunal colectivo e ate pelo tribunal de juri, sempre que o Ministerio Publico entender que não deve ser aplicada, em concreto, pena de prisão superior a tres anos ou medida de segurança de internamento por mais do que esse tempo.
Sumário: I - Os artigos 205 e 206 da Constituição (na redacção da lei constitucional n. 1/89) consagram o principio da "reserva do juiz", isto e, o principio segundo o qual o exercicio da função jurisdicional cabe exclusivamente aos tribunais.
II - Quer esse principio, quer o da independencia dos juizes, não são violados pelo artigo 16, n. 3 do
Codigo de Processo Penal (de 1987) pois que, apesar de assim o Ministerio Publico condicionar a fixação da pena ao caso - o juiz deixa de poder fixar a pena acima do minimo referido - fa-lo enquanto
"porta voz" que e do poder punitivo do Estado.
III - Tal procedimento do Ministerio Publico encontra-se abstractamente previsto na lei e a sua aplicação em concreto depende da formulação de um juizo de prognose com base em criterios objectivos que não afectam o "nucleo essencial" da decisão do juiz na apreciação de cada caso concreto.
IV - A norma impugnada tambem não viola, por excesso, as funções do Ministerio Publico tipificadas no artigo 224 da Constituição, pois que o uso da faculdade que lhe e conferida por aquela norma traduz ainda o exercicio da acção penal.
V - Mesmo que se admita que o citado artigo 224 consagra, o principio da legalidade de acção penal, nem assim a norma impugnada viola tal preceito constitucional quer porque não consagra o principio de oportunidade quer porque, a ver-se nela qualquer expressão desse principio, seria tão moderada que não poderia deixar de ser consentida pelo principio da legalidade.
Texto Integral: