Acórdão do Tribunal Constitucional | |
| Nº Convencional: | ACTC6593 |
| Acordão: | 96-610-1 |
| Processo: | 94-0236 |
| Relator: | FERNANDA PALMA |
| Descritores: | FISCALIZAÇÃO CONCRETA DA CONSTITUCIONALIDADE. PROCESSO CONSTITUCIONAL. DESPACHO DE PRONÚNCIA. DIREITO AO RECURSO. AUTORIZAÇÃO LEGISLATIVA. INCONSTITUCIONALIDADE ORGÂNICA. PROCESSO CRIMINAL. GARANTIAS DE DEFESA. IGUALDADE DE ARMAS. |
| Nº do Documento: | TCB19960417966101 |
| Data do Acordão: | 04/17/1996 |
| Espécie: | CONCRETA B |
| Requerente: | PARTICULAR |
| Requerido: | TJ S. PEDRO DO SUL |
| Nº do Diário da República: | 155 |
| Série do Diário da República: | II |
| Data do Diário da República: | 07/06/1996 |
| Página do Diário da República: | 9117 |
| Volume dos Acordãos do T.C.: | 33 |
| Página do Volume: | 849 |
| Votação: | UNANIMIDADE |
| Privacidade: | 1 |
| Constituição: | 1989 ART13 ART32. |
| Normas Apreciadas: | CPP87 ART310 N1. |
| Jurisprudência Constitucional: | |
| Área Temática 1: | PRINCÍPIOS GERAIS DOS DIREITOS E DEVERES FUNDAMENTAIS. DIREITOS LIBERDADES E GARANTIAS PESSOAIS. |
| Área Temática 2: | DIR PROC PENAL. |
| Decisão: | Não julga inconstitucional a norma do n.º 1 do artigo 310º do Código de Processo Penal de 1987. |
| Sumário: | I - Na perspectiva das garantias de defesa e no plano do direito infraconstitucional, a abertura da instrução corresponde ao exercício de uma faculdade, tendente a obter uma averiguação jurisdicional sobre a existência de indícios suficientes para promover o julgamento (indícios de que resulte uma possibilidade razoável de ao arguido ser aplicada pena ou medida de segurança), que fundamentam o despacho de acusação.
III - Existe uma diferença essencial entre os despachos de pronúncia e de não pronúncia que torna justificável racionalmente a diferença de regimes. A diferenciação entre aqueles despachos não é arbitrária, visto que assenta numa justificação razoável, de acordo com critérios de valor objectivos, constitucionalmente relevantes. IV - O regime especial de irrecorribilidade da decisão instrutória que pronunciar o arguido pelos factos constantes da acusação do Ministério Público, não é arbitrário, encontrando fundamento na existência de indícios comprovados, de modo coincidente, em duas fases do processo: pelo Ministério Público, dominus do inquérito, e pelo juiz de instrução. V - Sendo certo que o n.º 1 do artigo 32.º da Constituição impõe que se consagre o direito de recorrer de decisões condenatórias e de actos judiciais que, durante o processo, tenham como efeito a privação ou a restrição de liberdade ou de outros direitos fundamentais do arguido, é admissível que o legislador determine a irrecorribilidade de outros actos judiciais desde que não atinja o conteúdo essencial das garantias de defesa e a limitação seja justificada por outros valores relevantes no processo penal. |
| Texto Integral: |