Acórdãos TC
Acórdão do Tribunal Constitucional
Nº Convencional: ACTC00005329
Acordão: 95-107-1
Processo: 35-00PP
Relator: TAVARES DA COSTA
Descritores: PARTIDO POLITICO
REGISTO DOS PARTIDOS POLITICOS
DENOMINAÇÃO
SIGLAS
SIMBOLO DE PARTIDO POLITICO
LIBERDADE DE RELIGIÃO
SEPARAÇÃO DAS IGREJAS E DO ESTADO
Nº do Documento: TPP19950223951071
Data do Acordão: 02/23/1995
Espécie: PARTIDOS POLITICOS
Requerente: PARTICULAR
Requerido: PSC
Nº do Diário da República: 78
Série do Diário da República: II
Data do Diário da República: 04/01/1995
Página do Diário da República: 3594
Votação: MAIORIA COM 1 DEC VOT E 1 VOT VENC
Privacidade: 01
Declaração de Voto: VITOR NUNES DE ALMEIDA.
Voto Vencido: RIBEIRO MENDES.
Constituição: 1989 ART41 ART51 N3 ART295.
Legislação Nacional: LPP74 ART5 LTC82 ART103 N2 A B.
Área Temática 1:
Decisão: Rejeita a inscrição do Partido Social Cristão-
-PSC, no livro de registo dos partidos politicos.
Sumário: I - Na denominação do Partido Social Cristão, a inclusão do vocabulo "cristão", directamente relacionado com determinada religião, seja individualizadamente considerado, seja formando um lixo sintagmatico com "social", denota utilização constitucionalmente interdita.
II - Pretende-se com o preceito constitucional (artigo
51, n. 3), nomeadamente, evitar lesão na boa fe dos cidadãos e assegurar condições de transparencia na participação politica destes, de modo a afastar quaisquer juizos de confundibilidade com religiões ou igrejas, do mesmo passo se acautelando o principio de não confessionalidade do Estado (artigo 41, n. 4).
III - O simbolo do partido - um peixe de cor branca em fundo azul - e emblema que, posto em relação com a pretendida denominação do partido, pode suscitar, pela sua matriz religiosa, confusão no espirito e boa fe dos cidadãos: a leitura criptografica do simbolo do peixe esta facilitada pela estilização da figura e pela tradição cristã de recurso a função simbolica - o peixe foi historicamente representado como nome simbolico de Cristo e, ainda hoje, não constituindo o simbolo por excelencia do cristianismo, não deixa de poder ser entendido como tal em certas circunstancias.
Texto Integral: