Acórdãos TC
Acórdão do Tribunal Constitucional
Nº Convencional: ACTC00002888
Acordão: 91-292-P
Processo: 91-0210
Relator: ACORDÃO DITADO PARA ACTA
Descritores: TERRITORIO DE MACAU
PROCESSO CONSTITUCIONAL
FISCALIZAÇÃO ABSTRACTA DA CONSTITUCIONALIDADE
LEGITIMIDADE
NORMA
GOVERNADOR DE MACAU
NORMAS DOS ORGÃOS LEGISLATIVOS DE MACAU
REQUISITOS DO PEDIDO
PROCURADOR GERAL DA REPUBLICA
Nº do Documento: TSC1991062591292P
Data do Acordão: 06/25/1991
Espécie: SUCESSIVA
Requerente: PROCURADOR-GERAL DA REPUBLICA
Requerido: GOVERNADOR DE MACAU
Votação: MAOIORIA COM 4 VOT VENC
Privacidade: 01
Voto Vencido: TAVARES DA COSTA. ANTONIO VITORINO. ASSUNÇÃO ESTEVES. RIBEIRO MENDES.
Constituição: 1989 ART5 ART281 N2 B ART292 N1.
Normas Suscitadas: DL 80/90/M DE 1990/12/31 ART8 N2 A B C.
DL 81/90/M DE 1990/12/31 ART3 N3 A B C.
Legislação Nacional: DPR N38-A/87 DE 1987/12/14 N1.
Jurisprudência Constitucional:
Área Temática 1: TERRITORIO. FISCALIZAÇÃO DA CONSTITUCIONALIDADE.
Área Temática 2: DIR REG NOT.
Decisão: Não conhece do pedido de declaração de inconstitucionalidade das normas constantes dos artigos 8, alineas a), b e c) do Decreto-Lei n. 80/90/M e 3, alineas a), b) e c do Decreto-Lei n. 81/90/M, ambos de 31 de Dezembro, diplomas relativos ao exercicio da função notarial em Macau, por ilegitimidade do Procurador-Geral da Republica para requerer essa fiscalização.
Sumário: I - Macau e unicamente territorio "sob administração portuguesa", regendo-se por "estatuto adequado a sua situação especial", pelo que, salvo quando ela propria o diga, a Constituição não rege directa e automaticamente para o territorio de Macau, e que este tem a sua "Constituição", verdadeiramente, no respectivo Estatuto.
II - O legislador do Estatuto de Macau não so encarou
"ex professo" a questão de controlo abstracto sucessivo da constitucionalidade das normas editadas pelos orgãos legislativos desse territorio, como estabeleceu para esse controlo um regime a um esquema especificos, pelo que não tem cabimento fazer apelo, nessa materia, ao disposto no n. 2 do artigo 281 da Constituição da Republica.
III - Assim, so o Governador e a Assembleia Legislativa de Macau, e não o Procurador da Republica, tem legitimidade para requererem a fiscalização abstracta sucessiva da constitucionalidade (e legalidade) de normas emitidas no respectivo territorio.
IV - A consideração de que, assim, a possibilidade de submeter as normas em causa a controlo abstracto de constitucionalidade fica enfraquecida, e diminuida consequentemente a garantia do respeito, pelas mesmas normas, dos principios e regras constitucionais que tem aplicação a Macau não pode sobrepor-se ao que resulta de disposições estatutarios de caracter "organico", sendo certo que o controlo abstracto definido no Estatuto ja se reveste de um alcance garantistico não dispiciendo.
Texto Integral: