Acórdão do Tribunal Constitucional | |
| Nº Convencional: | ACTC00000674 |
| Acordão: | 86-178-P |
| Processo: | 85-0063 |
| Relator: | MAGALHÃES GODINHO |
| Descritores: | AUTORIDADE MARITIMA CAPITÃO DE PORTO TRIBUNAIS FUNÇÃO JURISDICIONAL INDEPENDENCIA DOS TRIBUNAIS INDEPENDENCIA DOS JUIZES COMPETENCIA DOS TRIBUNAIS |
| Nº do Documento: | TSC1986052786178P |
| Data do Acordão: | 05/27/1986 |
| Espécie: | SUCESSIVA F |
| Requerente: | PROCURADOR GERAL ADJUNTO |
| Requerido: | GOVERNO |
| Nº do Diário da República: | 141 |
| Série do Diário da República: | I |
| Data do Diário da República: | 06/23/1986 |
| Página do Diário da República: | 1468 |
| Votação: | UNANIMIDADE |
| Privacidade: | 01 |
| Constituição: | 1982 ART205 ART206 ART208 ART212. |
| Normas Apreciadas: | RGC72 ART206 N1 ART209 N5. |
| Normas Declaradas Inconst.: | RGC72 ART206 N1 ART209 N5. |
| Jurisprudência Constitucional: | |
| Área Temática 1: | TRIBUNAIS. |
| Área Temática 2: | DIR TRANSP - DIR MARIT. DIR JUDIC - ORG COMP TRIB / EST MAG. |
| Decisão: | Declara, com força obrigatoria geral, a inconstitucionalidade das normas do n. 1 do artigo 206 e n. 5 do artigo 209 do Regulamento Geral das Capitanias, aprovado pelo Decreto-Lei n. 265/72, de 31 de Julho, que atribuem competencia as autoridades maritimas e capitães de porto para decidirem litigios. |
| Sumário: | I - A Constituição reserva a função jurisdicional aos Tribunais, competindo a estes, e so a estes, a administração da justiça. II - As "autoridades maritimas" referidas no Regulamento Geral das Capitanias não tem a natureza de "tribunais", nem os "capitães dos portos" podem ser considerados "juizes"; como tal, as competencias a estes atribuidas pelo referido Regulamento ofendem frontalmente a reserva da função jurisdicional constitucionalmente outorgada aos tribunais. III - As "autoridades maritimas", nomeadamente os "capitães de porto" estão integrados no sistema da administração publica e são hierarquicamente dependentes, porque hierarquicamente subordinados a varias entidades, não gozando, pois, da independencia que faz parte do estatuto dos juizes e de que resulta a independencia dos tribunais. IV - Admitindo que os capitães de porto podem praticar, a luz da Constituição, como autoridades administrativas, certos actos jurisdicionalizados - por nada impedir que certos processos conducentes a pratica de actos administrativos sigam uma forma jurisdicionalizada - o que a lei fundamental não consente e que, como a face das normas questionadas acontece, a autoridade maritima resolva um litigio, julgue um processo, porque o exercicio dessa competencia não faz parte da função administrativa, mas da função jurisdicional. |
| Texto Integral: |