Acórdãos TC
Acórdão do Tribunal Constitucional
Nº Convencional: ACTC00002521
Acordão: 90-269-1
Processo: 89-0250
Relator: TAVARES DA COSTA
Descritores: ACÇÃO PENAL
MINISTERIO PUBLICO
COMPETENCIA
FUNÇÃO JURISDICIONAL
TRIBUNAIS
INDEPENDENCIA DOS JUIZES
Nº do Documento: TCA19901016902691
Data do Acordão: 10/16/1990
Espécie: CONCRETA A
Requerente: MINISTERIO PUBLICO
Requerido: TJ VILA NOVA DE GAIA
Votação: UNANIMIDADE
Privacidade: 01
Constituição: 1989 ART168 N1 C ART205 ART206.
Normas Apreciadas: CPP87 ART16 N3 NA REDACÇÃO DO DL 387-E/87 DE 1987/12/29 ART4.
Legislação Nacional: DL 387-E/87 DE 1987/12/29.
Jurisprudência Constitucional:
Área Temática 1: PRINCIPIOS GERAIS DOS DIREITOS E DEVERES FUNDAMENTAIS. DIREITOS LIBERDADES E GARANTIAS PESSOAIS. TRIBUNAIS.
Área Temática 2: DIR PROC PENAL.
Decisão: Não julga inconstitucional a norma constante do artigo 16, n.3, do Codigo de Processo Penal, na redacção dada pelo Decreto-Lei n. 387-E/87 de 29 de Dezembro, que permite ao Ministerio Publico deferir ao Tribunal singular o julgamento de uma infracção que, em principio, seria da competencia do Tribunal colectivo.
Sumário: I - Os artigos 205 e 206 da Constituição consagram o principio da "reserva do juiz", nos termos do qual o exercicio da função jurisdicional cabe aos tribunais.
II - Ao usar o n.3 do artigo 16 do Codigo de Processo
Penal, o Ministerio Publico sujeita a decisão do julgador uma dada acção penal, o que, faz atendendo as circunstancias do caso concreto, desencadeando, no exercicio das suas funções, a acção penal e defendendo a legalidade democratica, pautando-se por criterios de estrita legalidade e objectividade
(que são aqueles que devem nortear a sua actuação), não exercendo, enquanto tal, qualquer influencia ou pressão sobre o juiz.
III - A independencia do juiz não e afectada, so que, nos quadros da dialectica processual decorrente do principio acusatorio, sempre o julgador ha-de estar confinado ao solucionamento da questão penal tal como ela lhe e proposta pelo Ministerio Publico ou pela parte acusadora privada e e nessa moldura, legitimada e proporcionada pelo n.3 do artigo 16 do Codigo de Processo Penal que a acção penal se exerce e, consequentemente, nela o julgador actua com a independencia exigida constitucionalmente, no ambito de reserva da função jurisdicional.
Texto Integral: